Depois não adianta chorar
21/09/2010 15:00
Toda eleição é o mesmo desfile das mesmas caras conhecidas buscando assegurar a continuidade de seus mandatos.
Muitos deles são também conhecidos da polícia, do Ministério Público e da Justiça Criminal. Porém, exibem-se sem qualquer constrangimento, com largo sorriso falso, falso como seus planos, suas idéias e falas. E, por mais incrível que pareça conseguem votos, aos milhares, se reelegem e tão rapidamente voltam ao cenário das manchetes policiais.
Outros candidatos impactam pela excentricidade das roupas, da postura e das besteiras que representam. É palhaço (não aquele de circo que faz rir pela candura e inocência de suas piadas) da realidade da vida do brasileiro, alardeando seu total desconhecimento sobre qualquer assunto de interesse da população, da política, fazendo dessa esperta ignorância seu mote de campanha.
Não escapam das câmeras, num triste espetáculo levado ao ar diariamente por dias e dias consecutivos, como um martelo a cair sobre a bigorna provocando sons irritantes e contínuos, pessoas desprovidas de qualquer senso de conduta suplicando voto com prazer em alusão ao seu número de inscrição.
O desfile de caricaturas da alma humana não para, e num ritmo quase frenético surgem, mulher-goiaba, mulher-cana-de-açucar e tantas outras frutas desfrutáveis como os desejos que as levam à candidatura.
E o povo votante? O povo ri desses personagens, não se dando conta que ri da sua própria sorte.
Há um inconformismo com as falcatruas noticiadas diariamente nos mais variados setores da política brasileira, com reflexos direitos na vida de cada cidadão. Falta dinheiro para saúde, não existe pronto atendimento, pessoas morrem nas filas dos hospitais, quando não na porta de simples postos de saúde. As verbas para construção de hospitais de equipamentos e de remédios são superfaturadas e desviadas para interesses dos mesmos já conhecidos políticos. Não tem escola para todas as crianças, o dinheiro some em desvios desavergonhados... Na segurança pública, o governo não consegue sequer controlar as facções criminosas dentro dos presídios. Não conseguem dominar pessoas cercadas por muralhas com guarda armada. A droga campeia sem obstáculos e toma conta do país.
E se vota em sambista, ladrão, nos mesmos de sempre, com se tudo fosse uma grande piada. A piada da desgraça nacional.
Ainda dá tempo se rever e reverter situações dadas como certas e por pra correr que está acostumado a correr da polícia.
Depois não adianta chorar!!!
Mário de Oliveira Filho, advogado criminalista, Presidente da Comissão de Fiscalização e Defesa da Advocacia da OAB/SP.