Pânico e fobia social
Rivero é psicólogo clínico, mestrado USP e professor universitário.
02/05/2011 11:00
Hoje quero homenagear minha mãe, será o segundo ano que passo sem sua presença física no Dia das Mães. Wanda foi uma presença iluminada para mim, transbordava incentivo e colaboração em minha vida pessoal e profissional.
Desde pequeno percebi o compromisso que dedicava a nossa família, mulher simples de gestos humildes marcou minha vida. Creio que o trabalho de psicologia que realizo tem muito do exemplo que ela me forneceu, sempre disponível em compartilhar e ajudar as pessoas. Wanda partiu depois de uma longa jornada de 12 anos portadora do adoecimento de Alzheimer.
O que mais me impressionou nesta caminhada foi sua aceitação pela doença, parecia compreender as limitações e tolerava-as. Manifestava entendimento em momentos difíceis do adoecimento, aonde a moléstia se impunha e cortava possibilidades.
Esta aceitação quando ainda estava com a lucidez preservada
me emociona e fascina até hoje. Wanda partiu do meu lado, de minha esposa,
netos, parentes e amigos.
Hoje quero estender o meu afeto a todas as mães, que vivem a função materna. Algumas de sangue outras de adoção, a maternidade é uma possibilidade admirável de ser co-criadora da vida. Uma experiência rica de ensinamentos aos filhos que educa e a própria mãe que vive este papel. Esta vivência se sobrepõe as limitações pessoais, aos deslizes humanos, as vulnerabilidades de cada mulher, é transcendente recolhe em si mesmo a doação de seu espaço corporal a outro ser, alimenta com seu corpo o rebento.
Cuida de seu fruto quando a vida mostra-se frágil e ainda é promessa de existência plena. A mãe é memória do tempo e da hora certa de “amamentar”, é concentração nas noites não claras de cuidados. É saber renunciar o muito da vida pelo seu pequenino que manifesta vida.
É autocontrole para lidar com a contestação própria da adolescência, é raciocínio lógico para orientar e esclarecer o filho em suas trilhas pela vida. É afetividade elevada a um grau admirável pela incondicionalidade em aceitar e amar.
Talvez seja uma das expressões
mais sábias da existência humana mesmo quando é ofuscado por dificuldades e
embaraços. Estes relances de afeto acolhedor das mães antecipam e sinalizam uma
humanidade futura mais valorizadora da importância da vida, inspirada em
princípios de tolerância e partilha. Mãe é embrião do futuro.
Por tudo que refletimos, mãe pode adoecer de Alzheimer, mas algo internamente nela permanece sempre lúcido, sábio e amoroso. É fundamental que o filho ou a filha tenha olhos de ver, de espiar além das sombras e das dificuldades humanas. Que veja o amor que nunca se extingue, nem mesmo com a morte. Grato por tudo Wanda! Feliz dia das mães...
Alexandre Rivero
riveroalexandre@hotmail.com

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